• EDUARDO NOVAIS

Os pilares da Indústria 4.0

Atualizado: Abr 23

Nos últimos 30 dias a busca por assuntos relacionados a “Indústria 4.0” cresceu em 22%, no Brasil. Em escala global, a cada 4 minutos uma pessoa procura expressões como “o que é a indústria 4.0?” na internet. Isso evidencia que as discussões a cerca do tema são cada dia mais comuns. Mas você sabe me dizer o porquê?


A Indústria 4.0 marca a harmonização e integração de tecnologias já presentes na 3ª revolução industrial, como máquinas inteligentes e conectadas. Segundo o livro “A quarta revolução industrial” de Klaus Schwab, o que torna essa revolução fundamentalmente diferente das anteriores é a fusão de tecnologias e a interação entre os domínios físicos, digitais e biológicos. Ela possibilitou a criação de novos produtos e serviços, com um custo acessível e aumentou a eficiência da vida dos consumidores, sejam eles pessoas físicas ou grandes indústrias.

A velocidade de crescimento e impacto também é uma marca dessa revolução. O tear mecanizado, que foi símbolo da primeira revolução industrial, demorou cerca de 120 anos para alcançar países fora da Europa. Em contraste, a internet espalhou-se pelo mundo em menos de uma década.


Você quer saber mais sobre o tema e ficar por dentro das principais mudanças provocadas pela 4ª Revolução Industrial?


Neste artigo, vamos abordar as principais tecnologias e características no contexto da Indústria 4.0, algumas curiosidades e como elas impactam a nossa sociedade e nossos hábitos.



Big Data

Em um estudo feito pela International Data Corporation (IDC) estima-se que em 2025, 41,6 bilhões de dispositivos estejam conectados gerando 79.4 trilhões de gigabyte (GB) de dados. Estamos falando de dispositivos como máquinas, sensores, câmeras e celulares gerando uma quantidade de dados que mal conseguimos mensurar.

O termo “Big Data” refere-se justamente a essa enorme quantidade de dados disponíveis em grande variedade. Nós geramos dados a todo o momento, seja por meio de uma pesquisa na internet ou pelas nossas redes sociais. Na indústria não é diferente. Diante de complexos processos, os sensores e máquinas monitoram parâmetros e fornecem dados a todo o instante.

Na indústria 4.0, o Big Data é uma ferramenta utilizada para interpretação e análise que transforma os dados em conhecimento e insights. Seus reflexos podem ser vistos na indústria, economia e na sociedade como um todo.

A Intel, fabricante de processadores, utiliza Big Data para otimizar o processo de qualidade dos seus produtos. Inicialmente eram necessários 19.000 testes para cada chip fabricado! Ao utilizar o Big Data, a empresa conseguiu reduzir significativamente o número de testes para garantir qualidade, resultando em uma economia de US$ 3 milhões em custos de fabricação. Isso é geração de valor com base em dados.

Então, quando pensar em “Big Data”, lembre-se dos seus cinco pilares, os chamados 5V’s. São eles: volume, velocidade, variedade, veracidade e valor.


Personalização em massa

O modelo de produção que marcou a indústria 4.0 ficou conhecido como “Personalização em massa”. O alto nível de personalização permite que os produtos atendam necessidades e preferências específicas de cada cliente.

Você já recebeu alguma recomendação de filme ou série na Netflix?

Através da análise das preferências dos assinantes, a Netflix recomenda outros conteúdos do mesmo perfil. Isso é possível por meio do Big Data, que interpreta os dados dos milhões de usuários ao redor do mundo e entrega sugestões de conteúdo que agreguem valor, por um preço acessível.

Na indústria não é diferente. A Scania utiliza a personalização para aumentar a eficiência na cadeia de produção. Como fornecedora, ela permite que o cliente entre em contato com a concessionária e especifique as características do produto que precisa, e através de um configurador de produto ela auxilia no processo de seleção dos itens. Com isso consegue atender a demandas de diferentes mercados.

A possibilidade de personalização entrega alto valor e garante a satisfação do cliente e compra efetiva.


Cloud Computing

Há poucos anos, armazenávamos informações em disquetes, pen drives ou outros dispositivos físicos. Mas com um salto tecnológico significativo, o fluxo de informações mudou. Agora, armazenamos nossos dados em nuvem, de forma digital. Isso permite o acesso mais rápido à informação, suportando grande quantidade de dados e podendo ser compartilhada em questão de segundos, em escala global.

Mas além de armazenar dados, o Cloud Computing permite o processamento e distribuição da informação. Na indústria, o processo de manufatura de uma peça, por exemplo, requer informações de comando, como quantidade, modelo e material utilizado. Ao mesmo tempo, as máquinas produzem informações do seu desempenho e quantidade de peças produzidas. Para gerir esse processo com computação em nuvem, o colaborador apenas precisa ter acesso ao software que recebe as informações do provedor. Além disso, a informação é descentralizada. Isso permite que diversas fábricas se comuniquem de forma mais rápida e eficiente.

Com a enorme quantidade e variedade de dados disponíveis, é necessário geri-los com segurança. Podemos dizer que o Cloud Computing (nuvem) e o Big Data são recursos que se complementam de maneira eficaz para as cadeias de produção.

E, se acha que isso é apenas para indústria, está enganado. Você já consumiu conteúdo via streaming, editou documentos online ou armazenou suas fotos no drive? Então já fez o uso dessa ferramenta!


Visão Computacional

A visão computacional pode ser compreendida como a capacidade de sistemas artificias em reconhecer padrões em imagens. A Tesla, assim como outras empresas do setor, utiliza sistemas de visão computacional para controle de qualidade dos carros e otimização de processos logísticos.

Na indústria, a visão computacional pode ser usada para monitoramento de processos e inspeção de qualidade. Ela auxilia a manutenção preditiva em inspeções remotas em fábricas, oleodutos e monitora a qualidade dos produtos e embalagens, reduzindo assim o número de produtos defeituosos.


Simulação Digital

A simulação digital, aplicada à indústria, possibilita a criação de ambientes virtuais que se baseiam em processos reais. Isto permite que sejam realizados testes e aprimoramentos ainda na etapa de concepção, gerando economia e agilidade.

Uma aplicação conhecida é chamada de “gêmeos digitais”, onde toda a cadeia de criação de um produto passa a ter seu representante idêntico também no mundo virtual. Isso permite o aperfeiçoamento na linha virtual antes de qualquer mudança real, gerando otimização de recursos.

A virtualização traz benefícios, como aumento do controle, previsibilidade e identificação de pontos de melhoria dos processos. Em áreas estratégicas, permite tomadas de decisões mais rápidas e assertivas. Isso porque os dados utilizados são reais e, como já comentamos anteriormente, outras ferramentas da Indústria 4.0 (big data e cloud computing) possibilitam o processamento e análise em tempo real.


Internet das Coisas

O conceito de IoT, ou Internet of Things ("Internet das Coisas") remete à ideia de que todas as coisas estarão conectadas à rede transmitindo dados entre si.

A tecnologia 5G será um grande divisor de águas para possibilitar a disseminação deste conceito. Estima-se que até 2025, o número de dispositivos conectados seja cinco vezes maior do que a população mundial de hoje. Outro benefício do 5G será o aumento da taxa de transmissão de dados, permitindo transferências até 10 vezes mais rápidas. A comunicação se torna praticamente instantânea.

Essa tecnologia permitirá a troca de dados entre máquinas, ferramentas, instalações, robôs, entre outros. Possibilitará o desenvolvimento de uma logística inteligente, manutenção preventiva mais eficiente, produção conectada e comunicação máquina a máquina.


Ficou claro para você como a Indústria 4.0 gera um grande impacto na nossa sociedade?

Comenta aqui qual desses pilares você já ouviu falar ou utiliza no seu dia a dia.

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